Um dia ainda juro que vou procurar entender ou estudar o estado de ânimo dos policiais que são deslocados para grandes aglomerações em dias decisivos de campeonatos de futebol. Ou de futsal, como foi o caso de USS x Paracambi, domingo, pela Copa Rio Sul. Sabia-se de antemão que o ginásio da USS pegaria lotação máxima e que muita gente ficaria até do lado de fora, tal era o clima envolvendo a partida. Muita gente garantia que não sei quantos ônibus viriam de Paracambi para a finalíssima. Revoltados com a decisão da organização do evento, que tirou da cidade da Baixada o mando na primeira partida da final por conta de acontecimentos no ginásio do Gresp na semifinal contra Barra do Piraí, estes torcedores partiriam para a violência em Vassouras.
Não sei ao certo quantos ônibus vieram de Paracambi. O fato é que os torcedores chegaram em cima da hora da partida. A USS fez a sua parte e colocou redes e cercas separando o espaço dos visitantes, que deveriam entrar por um portâo diferente dos vassourenses. Dois PMs na divisão das torcidas, por precaução e para impor respeito e, pronto, nada demais aconteceria. Diga-se de passagem o comando da 4a Cia da PM deu importância ao jogo e um bom número de policiais compareceu ao Sombrão. Mas quase sempre aglomerados em algum canto do ginásio menos exposto ao confronto de torcedores. Então, provocados por um pequeno grupo de vassourenses mais exaltados, os torcedores "organizados" de Paracambi se dirigiram, como esta meia dúzia de vassourenses, ao cercado que dividia a torcida. E tome xingamento, dedos em riste e cuspes, muitos cuspes. Então a briosa Polícia Militar vai lá resolver a questão.
A bola rola e Paracambi pede pênalti em Serginho. Na hora, até achei que foi, mesma opinião teve Dunga, que me acompanhava, junto com James Bernardes, na transmissão da Interativa. Na TV, no dia seguinte, achei que o cara se jogou. Mas o clima volta a ficar tenso. Escanteio para Paracambi e alguém cospe no Mascote, jogador de Paracambi conhecido aqui por ter jogado várias edições do Campeonato Vassourense. Antes do jogo, Dunga, que ficara na quadra, com a incumbência de fazer as reportagens da transmissão, procurou a organização, indagando se o melhor não seria tirar os torcedores dali. "Vamos esperar o jogo começar", foi o que ouviu como resposta. A própria PM poderia ir lá e tirar os torcedores. Não o fizeram. Na hora que os jogadores de Paracambi reclamaram de problemas para cobrar um escanteio, a polícia agiu. À base do spray de pimenta, que logo se alastrou por todo o Sombrão. Não foram poucos os pais e as mães que, ontem, ainda repercutiam o problema nas ruas da Cidade. "Cobri o rosto da minha filha com um casaco", me disse uma comerciária. "Eu sai do ginásio naquela hora, com medo de meu filho, que tem problema respiratório, passar mal", contou-me um servidor público municipal.
Minutos depois, com os basculantes do ginásio abertos, a bola voltou a rolar. Paracambi atrás, catimbando e tentando equilibrar o jogo na experiência de seus jogadores. Não foi do jeito que muito torcedor otimista imaginava, mas a USS se impôs e chegou ao título. Quando todo mundo imaginava que o jogo terminara, um grupo de torcedores invadiu a quadra para comemorar o tri. E já retornavam às arquibancadas quando a PM novamente entrou em cena, abusando de novo do spray de pimenta. Muita gente nem esperou Paracambi cobrar o pênalti estranhamente marcado pelo árbitro e deixou o ginásio. Poucos torcedores, em comparação ao mar de gente que presenciou o jogo, ficou para ver a premiação. Domingo, a PM até tentou mas não conseguiu acabar com a festa. Mas fica um temor: os pais que viveram a experiência de verem seus filhos expostos ao spray de pimenta da PM voltarão em novas oportunidades? Voltando, trarão seus filhos? Tomara que sim. Vassouras merece outras manhãs de domingo como a de 6 de junho. De preferência, sem pimenta.
2 comentários:
Blz João! POw não conhecia esse espaço aki, agora vou frequentar regularmente.
Vc não deve lembrar de mim, mas fazem mais ou menos 4 meses que eu acompanhei minha mãe ao hospital escola para fazer endoscopia e vc acompanhou a sua... a gente conversou sobre futebol e vc me contou a história da copa de 82, que ouvindo o fatídico jogo contra itália (onde seu pai proibiu vc de assistir)do banheiro, vc pedia à Deus: vale até gol do Zico!!! rsrsrs, fantástico!
Ah! na goleada de Barão, eu estava em campo. Era o 10 do Vassourense, e por sinal fiz o gol de honra.
Na próxima postagem, manda um abraço pra mim vlw!!!
abraço... Júnior/rubro-negrismo real.
João sou eu de novo. O jogo contra barão foi 5 à 1 e não 6 à 1.
obs:Essa conta(betedelourdes...), não é minha é da minha mãe.
abraço...
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