Muito já se falou e se escreveu sobre o choque de gerações, a incompatibilidade entre pessoas criadas em épocas distintas. Os antagonismos entre pais e filhos, netos e avôs. Aos 38 anos, confesso que com toda diferença cultural, hoje enxergo mais pontos de interseção do que diferenças com o meu pai. Pode ser saudade, pode ser sinal de que os anos realmente mudam a nossa maneira de enxergar o mundo. Mas encontrar estes pontos comuns, nem sempre foi encarado como algo positivo. Lembro de Renato Russo cantando: “Você se acha tão moderno/mas é igual aos seus pais”. Não que eu esteja aqui desdizendo o poeta. Entendo e sigo concordando com o enfoque.
Mas este texto não é pra falar do choque de gerações. A questão aqui é outra: lembrar a empatia, a simpatia que uma geração que está chegando nutre pela geração imediatamente anterior. Volto a 1989, ano da épica primeira campanha eleitoral para presidente no pós 1964l e lembro da admiração que nutria, aos 17 anos, pela rapaziada nove, dez anos mais velha. Militante novato, empolgado por poder votar pela primeira vez e logo para presidente – meu pai, nascido três décadas antes também foi para a urna votar pela primeira vez neste ano --, tinha uma certa inveja daqueles caras já enturmados com o movimento sindical, a militância no PT, as cervejinhas do pós-reunião e, claro, o contato com as companheiras (e com as nem tão companheiras assim).
A adolescência é um rito de passagem e naturalmente o adolescente quer cada vez estar inserido no mundo adulto. Então, aqueles caras descolados, dirigentes, chamando a atenção das mulheres – e das meninas também, pro nosso azar --, tirando documentos, lendo Marx, presidindo assembleias, mobilizando greves, sem perder o bom humor, sem deixar de discutir futebol e galantear as mulheres, eram o que a gente gostaria de ser em pouco tempo.
Lembro dos caras que admirava naquele 1989. Uns decepcionaram, alguns mais, outros menos. De alguns, nem tenho mais notícias. Uns daqueles camaradas reencontrei na internet outro dia. Verdade que não fiquei sem encontrá-lo nestes quase trinta anos. Mas toda a vez que o vejo, lembro de 1989. E o cara ainda desenha muito. Um parênteses aqui: sempre nutri uma inveja por quem desenhava e tocava violão nos tempos de juventude. Deve ter facilitado muita coisa no contato com o universo feminino e eu nunca tive estas armas...
Cacinho é craque desenhando, autodidata. Estudou cinema e produz desenhos animados. Neste domingo chuvoso de primavera, as minhas homenagens a este hoje jovem senhor, agora radicado em Juiz de Fora. Confira o trabalho dele em http://animadodesenho.blogspot.com

1 comentários:
ô meu camarada e companheiro de velhos (novos) tempos...
É sempre um prazer danado ver gente que evolui como você.. que buscava ser jornalista... e sempre escreveu muito bem pra caramba a beça chuchu as pampas..
Obrigado pela amizade..
conte comigo sempre..
abraços e saudações socialistas
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